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Com centenas de demissões na Embraer e crise da Boeing, sindicatos pedem que Bolsonaro vete venda

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Matriz da Embraer, em São José dos Campos

A crise que atinge a Boeing e as demissões que estão ocorrendo na Embraer levaram os sindicatos dos metalúrgicos de São José dos Campos e Araraquara a cobrarem do presidente Jair Bolsonaro o veto à venda da Embraer para a companhia norte-americana. Uma carta foi enviada nesta terça-feira (17), ao Palácio do Planalto.

A suspensão da produção dos aviões 737 Max foi anunciada na segunda-feira (16) pela Boeing, nos Estados Unidos. A medida colocou em alerta os sindicatos dos metalúrgicos, que temem pelos trabalhadores da Embraer no Brasil.

Nesta quarta-feira (18), a Embraer demitiu 50 funcionários da aviação executiva. Somente em dezembro, já foram cortados cerca de 300 trabalhadores na fábrica de São José dos Campos. A partir de segunda-feira (23), todos entram em férias coletivas para que se inicie o processo de transição para a Boeing.

A Embraer possui cerca de 16 mil funcionários. A maior fábrica fica em São José dos Campos e  conta com 12 mil trabalhadores, mas este número pode cair para 3.500 caso a venda se concretize.

Veto é a saída
Os sindicatos querem que Bolsonaro considere o veto como forma de impedir a quebra da mais importante indústria aeronáutica do país, que está prestes a passar para as mãos da Boeing justamente num momento de grave crise.

Em resposta à carta, o Gabinete Pessoal da Presidência da República informou que o assunto foi encaminhado ao Ministério da Defesa e à Secretaria de Governo.

Também foram enviadas cartas aos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, para que intercedam junto a Bolsonaro e recomendem o veto à venda da Embraer.

Em janeiro o presidente da República autorizou a transação comercial, abrindo mão da maior exportadora de produtos manufaturados de alta tecnologia do Hemisfério Sul.

“É sabido que o tipo de produto e tecnologia gerado nas fábricas da Embraer necessita de constantes investimentos. Se com tal crise a direção da Boeing já sinaliza que não investirá na planta do Brasil, o que restará em um futuro muito próximo serão fábricas de peças e componentes de aviões. Acaba-se, assim, com a indústria brasileira que hoje domina todas as etapas da produção de aeronaves”, concluem os dirigentes sindicais na carta enviada a Bolsonaro, Maia e Alcolumbre.