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PM força entrada de trabalhadores e greve na Embraer é suspensa

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Greve na Embraer é suspensa por repressão da PM. | Imagem: Roosevelt Cássio

A greve dos trabalhadores da Embraer foi suspensa temporariamente, nesta quarta-feira (25), em razão da repressão policial que se formou em frente à fábrica. O próprio Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos recomendou a suspensão.

No início da manhã, os trabalhadores da produção já haviam decidido em assembleia dar continuidade à greve iniciada na terça-feira (24). O cenário mudou com a chegada dos funcionários do setor administrativo. Homens da Polícia Militar e da Tropa de Choque fizeram um corredor polonês para que, intimidados, os trabalhadores entrassem na fábrica.

Além da Polícia Militar, também estavam no local policiais da Aeronáutica. Alex da Silva Gomes e Herbert Claros, dirigentes sindicais que estavam em frente ao portão principal da Embraer, chegaram a ser agredidos com cassetetes pela PM. Alex foi detido e levado para a Delegacia da Polícia Federal, mas não houve indiciamento.

Diante da truculência da Polícia Militar, o Sindicato decidiu orientar os trabalhadores de todos os setores a entrarem na fábrica.

Empresa mantém proposta
Na noite de ontem, representantes da Embraer chamaram o Sindicato para uma reunião, às 21 horas, mas não apresentaram nenhuma nova proposta. Mesmo assim, exigiam o fim da greve.

Os trabalhadores reivindicam 6,37% de reajuste salarial, enquanto a empresa propõe apenas a inflação (3,28%) e retirada de direitos da Convenção Coletiva da categoria. O Sindicato defende a continuidade das negociações, desde que tenham avanços na proposta patronal.

“A truculência da PM a mando da empresa é um crime contra o direito à livre organização sindical e ao direito constitucional de greve. A paralisação foi suspensa, mas a luta dos trabalhadores continua e a greve pode voltar a qualquer momento”, afirma o diretor do Sindicato Herbert Claros.

A unidade da Embraer da Av. Faria Lima produz aviões comerciais. É esta a fábrica que está sendo vendida para a Boeing.

“Não é por acaso que a Embraer insiste na liberação da terceirização dentro da fábrica. A Boeing tem todo interesse em acabar com essa cláusula”, conclui Herbert.

“O Sindicato vai tomar todas as medidas judiciais necessárias para denunciar o uso do Estado por uma empresa privada para reprimir os trabalhadores. Isto é grave e tem de ser apurado”, afirma o advogado do Sindicato Aristeu Pinto Neto.