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Parecer revela que venda da Embraer vai comprometer área de Defesa

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Um parecer técnico da Força Aérea Brasileira (FAB) aponta que a Embraer Defesa & Segurança perderá a capacidade de inovação com a separação das áreas comercial e militar. O documento, emitido em dezembro de 2018, foi parcialmente publicado no dia 23 de maio pelo site O Antagonista.

Os argumentos usados pela FAB não deixam dúvidas sobre as ameaças que recairão sobre o setor de defesa da Embraer, responsável pelo desenvolvimento e produção do cargueiro KC-390, das aeronaves Super Tucano, radares e de sistemas de vigilância e monitoramento.

Consta no documento: “Pode-se estimar que o desenho proposto pela Boeing inviabilizará novos investimentos na Embraer Defesa, pois a americana não colocará recursos em uma área que existe equivalente nos Estados Unidos, assim como o governo brasileiro não colocará recursos, pois não terá interesse em investir em tecnologias que serão transbordadas para a empresa Boeing, sendo correto afirmarmos que o processo de inovação da Embraer estaria certamente comprometido”.

Apesar de ser de interesse público, o parecer está sendo mantido sob sigilo pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª região e foi obtido com exclusividade pelo O Antagonista. O Sindicato defende que o sigilo seja suspenso, já que ali constam informações que podem interferir em questões estratégicas para o país.

“Como o Sindicato e diversos especialistas do setor aeronáutico sempre denunciaram, a operação de venda da Embraer atende exclusivamente aos interesses da Boeing. Não cabe sigilo a esse parecer, que tem de ser exposto e discutido com toda a sociedade brasileira”, afirma o diretor do Sindicato Herbert Claros.

Contradição
O parecer da FAB também aponta que a Boeing depende do portfólio de aeronaves da Embraer para se manter na liderança mundial de aviação. A conclusão é exatamente o oposto do que os defensores da venda da empresa brasileira sempre argumentaram para justificar a entrega para a norte-americana.

O relatório revela a necessidade de a norte-americana ter engenheiros novos. Seu quadro de profissionais estaria “envelhecido” e próximo da “aposentadoria”.

Os alvos dos interesses da Boeing seriam modelos de aeronaves com capacidade entre 100 e 150 passageiros, 150 a 200 e um terceiro com 200 a 250. O objetivo seria competir num segmento hoje dominado pela Airbus.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) entregou a Embraer aos americanos mesmo tendo conhecimento destes destaques da Força Aérea. Ele demonstrou irresponsabilidade com a soberania nacional e cometeu um crime ao entregar uma empresa do porte e importância da Embraer na geração de riqueza e tecnologia.