Home Destaque Embraer admite que venda para Boeing pode trazer riscos

Embraer admite que venda para Boeing pode trazer riscos

SHARE
Matriz da Embraer, em São José dos Campos

Na reta final para a concretização da venda para a Boeing, a direção da Embraer aponta riscos de perdas nesta operação. A avaliação consta no documento entregue à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês para Securities and Exchange Commission).

Segundo informações publicadas pelo jornal O Vale, nesta terça-feira (2), a Embraer nem mesmo garante que o negócio com a Boeing seja bem-sucedido após sua finalização.

“Se não formos capazes de realizar integralmente os benefícios previstos da transação, ou se o valor da transação for reduzido por qualquer motivo, nossos negócios, resultados operacionais e condição financeira, bem como o preço de negociação de nossas ações ordinárias e ADSs, podem ser afetados material e adversamente”, diz um trecho do documento assinado pela Embraer e reproduzido pelo jornal.

Os riscos apontados pela empresa devem-se à complexidade do negócio e às potenciais dificuldades não previstas no fatiamento das suas operações ao ser vendida para a Boeing.

A Embraer previa gastar cerca de US$ 3 bilhões com os custos da separação da aviação comercial dos demais segmentos (Aviação Executiva e Defesa e Segurança). Este valor, entretanto, pode ir além.

Em outro trecho do documento, a Embraer admite que a venda para a Boeing pode tirar recursos das operações cotidianas da companhia.

“A segregação do negócio de aviação comercial de nossos outros os negócios e a contribuição dos ativos e passivos relevantes para a joint venture da Aviação Comercial são complexos, dispendiosos e demorados, e podem desviar o foco e os recursos de nossa administração de nossas operações cotidianas”, diz o documento.

Alerta foi dado pelo Sindicato
Para o Sindicato, não chega a ser uma surpresa o conteúdo do documento. Desde o anúncio dos planos de venda da Embraer, em dezembro de 2017, especialistas do setor aeronáutico ouvidos pelo Sindicato alertavam para o risco da operação e que a companhia brasileira só teria a perder.

“Enquanto as negociações entre as duas empresas ainda estavam em andamento, todos diziam que seria um ótimo negócio para o Brasil. Agora, temos a comprovação assinada pela própria Embraer de que a venda é um risco. Estão brincando com futuro da empresa e nossos empregos”, afirma o diretor do Sindicato Herbert Claros.

Ao contrário do que a Embraer afirmou quando estava negociando com a Boeing, o processo de demissões na fábrica já começou. Toda semana tem ocorrido cortes.

A empresa também já fala em transferir 400 trabalhadores da aviação executiva para a unidade de Gavião Peixoto, ou seja, o clima na fábrica é de muita apreensão.

Outro ponto chama a atenção. A avaliação negativa só foi divulgada oficialmente pela Embraer nos Estados Unidos. No Brasil, houve omissão por parte da companhia.

“Esta postura da Embraer, em abrir o jogo nos Estados Unidos e mentir para os brasileiros, é de extrema gravidade. O governo federal e o Congresso Nacional têm o dever de intervir neste caso”, conclui Herbert.