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Em debate, Mancha defende Embraer nacional e pública

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O candidato ao senado Mancha, Murilo Pinheiro (presidente do Seesp) e Flávio Brízida (diretor 2º tesoureiro). Crédito: Beatriz Arruda/Seesp

Com informações do seesp.org.br

Como parte de seu ciclo de debates, o Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (Seesp) recebeu nesta quarta-feira (3) em sua sede, na Capital, o candidato ao Senado por São Paulo Mancha (PSTU). A entidade realiza atividades como essa a cada eleição, quando convida democraticamente todos os que disputam cargos majoritários e uma vaga no Senado.

Mancha destacou a importância do encontro em um “processo profundamente antidemocrático e desigual, cujo espaço de discussão é mínimo e em relação ao Senado, quase inexistente”. Ele frisou: “Temos apenas três segundos no horário eleitoral gratuito.”

Metalúrgico da General Motors, com longa trajetória no movimento sindical, o candidato do PSTU apresentou suas propostas. Uma das bandeiras de sua campanha é a defesa da Embraer como empresa nacional e pública. A companhia enfrenta, como observou Mancha, “um processo de desnacionalização bastante grande” e agora corre o risco de ser vendida à americana Boeing.

Ele apontou que a situação atual é consequência da privatização da empresa em 1994, que se enfrentou com forte mobilização contrária, da qual Mancha participou ativamente, ao lado dos engenheiros.

“A Embraer foi fundada em 1968 e desenvolveu-se todo um complexo em torno dela. Transformou-se em uma das cinco empresas do mundo que produzem avião, desenvolvendo tecnologia de ponta. Para justificar sua venda em 1994 a preço de banana, o governo retirou todos os seus recursos de modo a criar uma crise. O resultado da privatização foi a demissão de mais de 8 mil dos 12 mil trabalhadores. No processo de luta, conseguimos colocar uma cláusula com uma ação chamada golden share, que permite ao governo agora impedir a venda para a Boeing. É preciso um processo de mobilização e denúncia, em defesa da Embraer, do emprego e da tecnologia nacional. É necessário reestatizar a empresa, é uma questão estratégica para o País.”

Dirigente da Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas), o candidato apresentou ainda outra de suas bandeiras: a defesa da classe trabalhadora.

“O desemprego tornou-se uma questão estrutural da sociedade. Entre as medidas para combatê-lo, defendemos redução da jornada sem redução de salário.” Além de criticar a reforma trabalhista (Lei 13.467/2017), que retirou direitos históricos duramente conquistados, Mancha propugnou que o valor do salário mínimo deve ser de acordo com o estipulado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) – em torno de R$ 3.800,00 – para atender as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas, o que vai ao encontro do que determina a Constituição Federal de 1988. A recursos à saúde e educação, o candidato defendeu auditoria da dívida pública, que consome 46% do Orçamento da União, para suspensão de seu pagamento, uma vez que “já foi paga”.

“Ao País é reservado o papel de exportador de commodities, com uma economia totalmente dependente dos Estados Unidos, modelo que começou durante o regime militar, sem que haja desenvolvimento tecnológico voltado ao bem-estar das pessoas.” Mancha vaticinou: “Esse modelo precisa ser mudado. Para tanto, é preciso fazer uma rebelião. Temos que ir às ruas, fazer greve, questionar o sistema. Não podemos nos conformar. O que está em jogo é o futuro dos nossos filhos, da humanidade. É necessário que os trabalhadores possam se utilizar das riquezas que produzem.”