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Boeing e Embraer querem levar produção do KC-390 para os Estados Unidos

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A Embraer está dando mais um passo em direção ao desmonte de suas fábricas no Brasil. Segundo reportagem publicada pelo Jornal Valor Econômico, no domingo (30), a Boeing e Embraer estão negociando a instalação de uma linha de montagem do cargueiro militar KC-390 nos Estados Unidos.

O projeto faz parte do acordo de venda da Embraer para a Boeing e confirma a previsão do Sindicato, de que a entrega para a gigante norte-americana é uma grave ameaça para os empregos no Brasil e para a soberania do setor aeronáutico.

Ainda segundo o jornal, a produção nos Estados Unidos refere-se a uma segunda linha de montagem do KC-390 e seria criada a partir de uma nova joint-venture entre as duas empresas. Hoje, o cargueiro é montado em Gavião Peixoto (SP) e é o mais importante programa da linha de Defesa da Embraer.

As informações constam em um relatório recente do Bank of America assinado pelo especialista em setor aéreo Ronald Epstein.

A transferência para os Estados Unidos representa mais uma perda para a Embraer. Hoje, grande parte da aviação executiva da empresa (Phenom e Legacy) está sendo produzida nos Estados Unidos. Já a aviação comercial deve ser entregue à Boeing, conforme negociação que está em andamento. Somando-se os três setores, nada restará no Brasil além de fornecimento de peças para a Boeing.

Em nota para a imprensa, a Embraer nega que a linha de produção do KC-390 será desativada em Gavião Peixoto. Entretanto, esse mesmo discurso foi adotado quando começou a transferência da produção do Phenom para os Estados Unidos. Hoje, 100% da aeronave é produzida pelos norte-americanos.

Apropriação
Não é por acaso que a Boeing está interessada em levar para os Estados Unidos a produção do KC-390. O cargueiro é um projeto de transporte militar tático reconhecido internacionalmente por seu potencial tecnológico. Foi desenvolvido em parceria com a FAB (Força Aérea Brasileira) e custou R$ 7,2 bilhões aos cofres públicos.

Ao formar a joint-venture, a Boeing vai adquirir muito mais do que um projeto. Estará se apropriando de um valioso acúmulo de conhecimento desenvolvido pela Embraer.

No memorando do acordo de compra de 80% da Embraer para a Boeing, não consta a transferência da produção do KC-390 para os Estados Unidos. Portanto, as negociações estão sendo feitas às escuras.

“As duas empresas estão conduzindo as negociações sem qualquer transparência. Isto comprova que elas têm muito a esconder. Confirma também o quanto esse acordo será prejudicial para o país, portanto, tem de ser vetado pelo governo brasileiro. Não podemos permitir que o povo seja mais uma vez roubado”, afirma o diretor do Sindicato Herbert Claros.