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Debate na Câmara dos Deputados expõe riscos na venda da Embraer para a Boeing

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Mesa da Comissão Geral: Paulo Kliass, deputado Flavinho e o dirigente sindical Herbert Claros

A possível venda da Embraer para a Boeing e os perigos que envolvem a transação foi tema da Comissão Geral Extraordinária realizada na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (1º). A sessão deu visibilidade à luta dos sindicatos dos metalúrgicos de São José dos Campos, Araraquara e Botucatu pela manutenção dos empregos no Brasil e pela soberania nacional.

A atividade, presidida pelo deputado federal Flavinho (PSC), foi a primeira oportunidade em que se discutiu a questão no plenário da Câmara.

O diretor do Sindicato e membro da CSP-Conlutas Herbert Claros integrou a mesa como convidado. Ele rebateu o argumento de que a parceria com a Boeing seria a melhor maneira de enfrentar a concorrência no setor aeronáutico.

Para ele, sob o comando da norte-americana, a Embraer pode ser rebaixada a uma mera fabricante de peças. “A principal ameaça não é a concorrência, mas a entrega da Embraer”, alertou Herbert. “Em nenhum momento a Boeing garantiu que haverá investimentos no Brasil. Sem a garantia de um novo projeto de avião a ser desenvolvido no país, em cinco ou dez anos poderemos testemunhar o fim da Embraer”.

No mesmo sentido, o convidado Paulo Kliass, mestre em Economia pela Universidade de São Paulo, denunciou a falta de controle sobre o futuro da Embraer caso a venda se concretize. “Não há bonzinho nessa história. O risco é da Boeing engolir a Embraer e obrigar a empresa brasileira a atender apenas seus interesses”.

O Sindicato enviou uma delegação para a sessão. Estiveram presentes os diretores José Roberto Selva e Márcio José Barbosa de Morais, o Zeca, além do secretário-geral licenciado, Antônio Macapá, e Luiz Carlos Prates, o Mancha, membro licenciado da CSP-Conlutas.

Descaso
Dos 513 deputados, apenas dois estiveram presentes na Comissão Geral. Parlamentares da região, Eduardo Cury (PSDB), Pollyana Gama (PPS) e Márcio Alvino (PR) não compareceram, o que evidencia o completo descaso frente a um assunto de extrema importância.

A ausência de representantes do governo de Michel Temer (MDB) e do presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, foi duramente criticada por todos os participantes. Autor do requerimento, o deputado Flavinho classificou a falta como um insulto ao povo e ao poder público.

“Não me venha o presidente da Embraer subir no salto e dizer que não tem de dar satisfação para ninguém. O senhor deveria estar aqui hoje”, criticou Flavinho, que também lamentou a omissão do governo. “Poderiam vir aqui para mostrar que esse negócio seria bom. Cadê o representante do governo? Não tem. Não tem um deputado para defender esta joint venture”.

Plebiscito popular

O Sindicato defendeu a necessidade de envolver a população no processo de venda da Embraer, por meio de debates e plebiscito popular.

“A decisão não pode ser tomada por Temer. A melhor maneira de resolver isso é através de um plebiscito popular, com a participação de todos. Que o povo decida sobre a venda da Embraer com um verdadeiro debate democrático”, defendeu Herbert.

Pela reestatização

O Sindicato também defendeu no plenário que a Embraer volte a ser controlada 100% pelo Estado. Na Avaliação de Antônio Macapá, “a Embraer precisa ser reestatizada sob controle dos trabalhadores. Esta é a única forma de defender a soberania nacional, os empregos e os direitos“.