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Protesto cobra da Prefeitura defesa dos empregos na Embraer

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Um protesto em frente ao Paço Municipal de São José dos Campos, nesta terça-feira (15), cobrou do prefeito Felício Ramuth (PSDB) a defesa dos empregos na Embraer e exigiu que o governo federal vete a venda da empresa para a Boeing. A grande preocupação é que a transação transfira a produção de aviões para outros países, provocando demissões em massa na região.

O ato contou com a participação de vários sindicatos e confederações metalúrgicas do estado, além do deputado federal Carlos Zarattini (PT), que é membro da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e o principal articulador na Câmara contra a venda.

O presidente da FEM/CUT (Federação dos Sindicatos Metalúrgicos do Estado de São Paulo), Luiz Carlos da Silva Dias, lembrou o Brasil tem um longo histórico negativo de fusão de empresas nacionais com grandes companhias internacionais.

“A primeira coisa que uma grande empresa estrangeira faz ao comprar uma nacional é ver quantas unidades vão fechar e quantos trabalhadores serão demitidos. Não podemos ter ilusão de que a Boeing vai comprar a Embraer e continuar produzindo os aviões no Brasil para depois exportando para os Estados Unidos”, afirmou. Ele também alfinetou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que ao não se posicionar contra a venda, está condenando municípios e trabalhadores de várias cidades do estado.

“A venda para a Boeing coloca em risco o futuro das fábricas de São José dos Campos, Gavião Peixoto e Botucatu, e pode afetar 17 mil trabalhadores diretos e milhares de indiretos. Isso significará uma tragédia social e econômica para a região. Felício Ramuth precisa se posicionar contra a venda”, afirmou o vice-presidente do Sindicato, Herbert Claros.

Soberania e segurança nacional

O deputado federal Carlos Zarattini advertiu que a venda para os norte-americanos será um perigo para o Brasil. “O povo brasileiro vai perder, e muito, se esta venda for concretizada. A Embraer é uma experiência de construção de uma indústria aeronáutica nacional, independente de outros países, principalmente dos Estados Unidos. Não é à toa que o governo preservou a golden share após a privatização, para garantir que esta empresa continue sendo estratégica para o país”, afirmou o deputado.

Zarattini ainda lembrou que a Embraer é responsável não apenas pela fabricação de jatos, mas pelo desenvolvimento de projetos de ação militar, defesa e controle do espaço aéreo brasileiro e pelo laboratório de energia atômica Aramar, em Iperó (SP). “Portanto, vender a Embraer significa colocar em risco a segurança do país e de nosso povo”, finalizou.

Miguel Torres, do Movimento Brasil Metalúrgico e presidente da CNTM (Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos/Força Sindical), analisou que a venda da Embraer se insere no mesmo contexto de ataques do governo Temer ao patrimônio nacional, a exemplo da privatização da Eletrobras.

Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos, defendeu a necessidade de reestatizar a empresa, com única forma de garantir que a empresa cumpra, de fato, os interesses nacionais.

Entre os sindicatos que estiveram presentes no ato estão os de metalúrgicos de Araraquara, Botucatu, Taubaté (CUT) e Campinas (Intersindical), químicos de São José dos Campos, SindCT (Sindicato dos Servidores da Área de Ciência e Tecnologia do setor Aeroespacial), além da Admap (Associação de Aposentados) e Ocupação Quilombo Coração Valente.