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Presidente da Embraer admite: venda para a Boeing não é vital

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O presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva

Contrariando discursos de setores favoráveis à venda da Embraer, o presidente da empresa, Paulo Cesar de Souza e Silva, admitiu que uma parceria com a Boeing não é vital para o futuro da fabricante brasileira. A partir dessa declaração, publicada dia 4 pela agência de notícias Reuters, fica claro que a venda atende exclusivamente aos interesses da própria Boeing. Já o Brasil e a Embraer, só têm a perder.

Nas palavras de Souza e Silva, “a Embraer está sólida, uma das poucas empresas do Brasil com grau de investimento. A parceria com a Boeing não é vital para a Embraer”. Mesmo assim, segundo ele, as tratativas continuam.

A declaração joga por terra o argumento de setores da região de que a venda para a Boeing é determinante para a sobrevivência da Embraer.

“O presidente da Embraer confirma o que já sabíamos: não existe crise na empresa e, muito menos, motivos para vendê-la. A verdade é que a entrega para a Boeing representa grave ameaça à soberania do Brasil e a milhares de empregos. Infelizmente, nada disso está sendo considerado pelas duas empresas e pelo governo brasileiro. Por isso, temos de continuar firmes em nossa campanha contra a venda da Embraer”, afirma o diretor do Sindicato André Luiz Gonçalves, o Alemão.

Câmara Federal
Em discurso no plenário da Câmara, na quarta-feira, o deputado federal Flavinho (PSB) expressou preocupação com a possível venda da Embraer.

“Se a venda não vai ser boa para o Brasil, se vamos perder tecnologia, se vamos ver uma empresa como a Embraer ser sucateada e levada para os Estados Unidos, a gente precisa saber”, declarou.
Flavinho também defendeu que o tema deveria ser mais debatido na sociedade e disse que irá protocolar um projeto de fiscalização e controle para dar transparência às negociações. O deputado também deverá pedir que o assunto seja debatido na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara, uma vez que a possível venda coloca em risco milhares de empregos na região.

“Não podemos permitir que trabalhadores, famílias brasileiras e a nossa tecnologia sejam jogadas na lata do lixo desta maneira”, afirmou.

O Sindicato já se reuniu com o deputado e apresentou o impacto negativo que a possível venda da Embraer traria para a economia da RMVale.