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Debate expõe efeitos negativos de eventual venda da Embraer

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Participantes do debate contra a venda da Embraer

A possível venda da Embraer para a Boeing foi amplamente discutida no debate ocorrido na noite de terça-feira (13), em atividade organizada pelos sindicatos dos Metalúrgicos e dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial (SindCT). O evento aconteceu na Livraria Literacia, em São José dos Campos.

Todos que tiveram a oportunidade de se manifestar foram unânimes em considerar a entrega da Embraer como uma grave perda para a soberania do Brasil. A consequência seria a transferência de um valioso conhecimento acumulado ao longo de quase 50 anos de história, transformando a Embraer em mera montadora de aviões, e não mais desenvolvedora de uma avançada tecnologia aeronáutica.

O diretor do SindCT Solon Venâncio de Carvalho ressaltou a Embraer como símbolo da ciência e tecnologia para o Brasil. Como outros participantes do debate, Solon criticou a privatização da Embraer, ocorrida em 1994. “Conhecimento é um bem público, assim como a água é pública. Não se privatiza água, não se privatiza a energia, não se privatiza o conhecimento”.

Em diversos momentos, foi relembrado o período de desmonte que antecedeu a privatização da Embraer e as manifestações que tentavam barrar esse processo.

“Na época da privatização, a principal preocupação (dos opositores) era de que a Embraer deixasse de ser brasileira, e é isso que está acontecendo. A diretoria da Embraer construiu a venda para a Boeing”, afirmou o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Herbert Claros.

Dinheiro público

Mesmo privatizada, a Embraer continuou recebendo dinheiro público por meio do BNDES. Somente entre 1997 e 2014, a empresa recebeu US$ 14,4 bilhões em financiamento.

“O Sindicato dos Metalúrgicos é contra a venda, mas somos mais ousados. A Embraer tem de ser reestatizada. Hoje, a Embraer já é estatal, porque recebe muito dinheiro público, só que está nas mãos de acionistas”, disse Herbert.

O vice-presidente do SindCT, Fernando Morais Santos, chamou atenção para o fato de que muitos acreditam na abertura de oportunidades para que brasileiros passem a trabalhar nos Estados Unidos. Pura ilusão. “A Boeing não vai querer”.  E completou: “nós vamos ser os escravos tecnológicos deles”.

O presidente municipal do PSTU, Toninho Ferreira, ressaltou que o Brasil faz parte de um seleto grupo de países que produzem aviões e que, por isso, é interesse da Boeing levar a inteligência embora. Aqui a Embraer será uma montadora de aviões, se tanto.  E se depender do Temer, ele entrega”, concluiu.

“Agora chegamos a uma outra fase da privatização, que é a entrega definitiva da Embraer. Temos que fazer uma grande campanha que restitua a empresa aos brasileiros, neste momento em que o país está sendo dilapidado pelo governo, que quer privatizar a Eletrobras e a Petrobras”, afirmou o ex-deputado federal Ernesto Gradella.

Prefeitura e Câmara omissos

O presidente eleito do Sindicato dos Metalúrgicos, Weller Gonçalves, fez uma cobrança à Prefeitura e Câmara Municipal de São José dos Campos, que até agora não se manifestaram sobre a possível venda da Embraer.

“A sociedade está calada. A venda ou joint venture pode significar uma catástrofe para São José dos Campos. Tem que ser chamada uma audiência pública”, defendeu.

O vereador Wagner Balieiro (PT) também participou do debate, destacando que São José dos Campos tem um alto índice de concentração industrial na General Motors, Embraer e Petrobras e que quaisquer mudanças nessas empresas têm efeito nefasto para a economia e a população.

“É uma luta difícil, grande, mas não é impossível. Não podemos desistir. O papel do sindicato hoje não é mais só lutar por salario e PLR. É fazer o trabalhador acreditar que tem espaço no planeta e vai ter que derrubar o patrão”, afirmou Herbert.

E finalizou: “Temer tem poder de usar a golden share e temos que pressionar para que use. A desnacionalização já está acontecendo há muito tempo. Estamos vivendo a tendência natural do capitalismo, que é a tendência do monopólio. Na indústria aeronáutica está acontecendo isso.  Se isso se concretizar, só existirão Airbus e Boeing”.