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Sindicato faz primeira assembleia da campanha contra venda da Embraer

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Assembleia da campanha “A Embraer é Nossa”, em frente à sede da empresa (17/1/18)

Os trabalhadores da Embraer realizaram, nesta quarta-feira (17), a primeira assembleia para discussão sobre a possível venda da empresa para a norte-americana Boeing. A assembleia foi a primeira da campanha “A Embraer é nossa, não à venda para a Boeing”, lançada ontem, pelos sindicatos que representam os metalúrgicos das unidades de São José dos Campos, Botucatu e Gavião Peixoto (região de Araraquara).

Os trabalhadores demonstram-se apreensivos diante das tratativas de venda da empresa. Durante a assembleia, os dirigentes sindicais expuseram as preocupações diante das transações comerciais que estão sendo discutidas entre as duas fabricantes de aviões.

“A venda para a Boeing é um caminho às escuras. Essa empresa é protecionista e não hesitará em fechar as unidades do Brasil ao menor sinal de crise nos Estados Unidos”, afirmou o vice-presidente do Sindicato de São José dos Campos, Herbert Claros.
Ele citou como exemplo a McDonnell Douglas Corporation, empresa norte-americana que já foi a terceira maior fabricante de aviões comerciais e militares do mundo, mas foi fechada após ser comprada pela Boeing, em 1996.

A Embraer já está passando por um processo de desnacionalização, com a transferência de parte da produção para o exterior. A venda para a Boeing poderá acelerar este processo.
Herbert também criticou a falta de transparência da Embraer, que não respondeu à carta enviada pelo sindicato, no dia 21 de dezembro, pedindo explicações sobre as negociações com a Boeing.

“A Embraer é uma empresa construída com o esforço e o dinheiro dos impostos dos brasileiros. Mesmo após a privatização, a empresa ainda depende do governo para se manter e é central para a soberania e os interesses militares e tecnológicos do país. Por isso, o governo tem que usar seu poder de veto à venda para a Boeing”, afirma Herbert.

Campanha

A partir de agora, os três sindicatos que representam os trabalhadores da Embraer irão desenvolver uma série de atividades como parte da campanha contra a venda para a Boeing. Dentre as atividades previstas, estão audiências públicas na Câmara dos Deputados, Senado e Câmaras Municipais, um seminário internacional com trabalhadores de todas as plantas da Embraer, além da publicação de jornais e campanha nas redes sociais.

O objetivo é conscientizar a população não apenas sobre os riscos da venda, mas também a importância da reestatização da Embraer como forma de defender a soberania nacional e os empregos no Brasil.